Nem parei para olhar as
flores,
descansar numa sombra,
observar o tom das cores
Sempre correndo pra nenhum
lugar
me vi cercada de horrores
Esqueci de respirar
Esqueci que é preciso parar,
que é necessário observar
mais do que simplesmente
olhar
E o que sempre fica (pra
trás)
são as cores do arco-íris,
a alegria pura das flores,
a quantidade infinita de
cores
E o que sempre fica (pra
trás)
é o que não podemos levar,
o que não conseguimos
destruir,
o que não é nosso
Eu descansei nas sombras dos
prédios
Peguei sol nos trânsitos de
Sampa
Respirei a poluição das ruas
Observei o cinza do céu
Parei pra ver um acidente
Ouvi o novo discurso do
presidente
E o que sobra
é um monte de trabalho,
papéis velhos,
uma sociedade falida
Sempre sobra o medo de se
corrigir,
o desperdício de não sorrir,
a falta de coragem de arriscar,
de amar e de sonhar
O que sobra é o que não faz
falta,
o que ninguém vai levar
daqui,
é o mal de não saber viver,
o mal do só existir

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